Dizer o quanto representatividade importa já é um discurso desgastado na grande dimensão da internet, mas a teoria nem sempre condiz com a realidade em muitos aspectos. Vamos a um pequeno exercício antes de você continuar sua leitura: Imagine uma empresa importante, agora imagine a pessoa que comanda essa grande companhia, como um CEO. 

É muito provável que você tenha imaginado um homem branco nessa situação, e é aí que nossa reflexão se inicia. Início de carreira é um grande desafio cheio de incertezas e inseguranças, é o momento em que buscamos inspirações, exemplos que possam servir de espelho para a nossa realidade. Mas se você é um jovem negro com uma realidade não tão afortunada achar um profissional para se inspirar que tenha trilhado um caminho parecido com o seu, é difícil, aí que surgem obstáculos gigantes para a tão desejada carreira de sucesso.

Em uma pesquisa realizada pelo Instituto Ethos, no fim do ano passado, menos de 5% dos profissionais em posições de liderança eram negras, o que explica o fato de a maioria dos negros no mercado profissional nunca tiveram um líder que fosse parecido com eles e é muito provável que os jovens entrando no mercado de trabalho agora, e pelos próximos anos, também não tenham um mentor no qual eles se visualizem, se seguirmos com o ritmo que estamos. Esse fato apenas corrobora para a limitação de visão do negro. 

Quando não temos referências, não nos enxergamos em lugares de destaque que todos almejam dimunui a ideia de pertencimento e motivação. Pessoas pretas vêm de realidades que nos reprime a lugares e futuros previsíveis e ter que lutar para ter um espaço é desgastante e trilhar essa estrada sozinho faz esse objetivo ainda mais inalcançável. 

É inegável que ter uma mentoria em sua carreira torna toda a batalha um pouco mais viável de se vencer e ter um mentor que tenha uma narrativa parecida com sua e que tenha enfrentado todos os desafios que agora estão a sua frente ajudaria a diminuir a pressão que nos permeia todos os dias. 

É claro que é muito bom ser o primeiro, é ótimo, mas ser o primeiro negro a fazer algo é uma peso muito grande, além de todos os obstáculos que temos que enfrentar, pois há tantas narrativas que não se resumem a uma única pessoa. Ver nossos semelhantes no topo nos traz auto-estima, é um alívio, uma certeza de que independente da gaiola que esteja nos prendendo podemos alçar vôos altos.

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