Fim de ano, toda a empresa reunida naquela clássica foto. Há mulheres, negros, LGBTQIA+, pessoas com deficiência, é bonito de ver. Representatividade. Mas como já falei em meu último artigo, a execução é muito mais desafiadora do que as ideias.

Na maioria das vezes, a foto de fim de ano, não passa disso, um registro temporal. Sim, promover diversidade dentro das empresas é muito mais difícil e a prática precisa ir além da fotografia.

Não é o bastante termos estagiários e outras posições júnior como “o time diverso” ou uma simples declaração virtual. Claro, não podemos desmerecer essas ações,elas são um primeiro passo, mas é apenas isso, o início, precisamos avançar nessa discussão.

É comum em datas como Dia das Mulheres, Consciência Negra e tantas outros dias que celebramos, vermos campanhas, posts que apontam para tentativas de aderir as lutas de inclusão que vem sendo pautadas nos últimos anos, no entanto, o que sempre me pergunto é essa ação vem de uma iniciativa genuína ou é apenas para cumprir um protocolo que todos estão cumprindo?  

Deixe-me explicar porquê essa é uma das minhas preocupações.

Cansamos de ver por aí companhias publicarem algo em sua rede e pecando ao fazer o completo oposto em seu dia-a-dia. Sem mencionar episódios de preconceito reportados ex-colaboradores desmentindo a bela imagem online criada. Tomemos como exemplo o caso de uma grife carioca, que foi denunciada, em 2019, por funcionários e ex-funcionários por racismo, gordofobia e outras formas de preconceito, o discurso que a marca trazia online sempre foi a importância da diversidade, até mesmo no seu slogan “Por trás de peças, pessoas”, mas isso não condizia em nada com os acontecimentos aqui citados. Por isso grandes campanhas voltadas para um tema tão aquecido nos últimos tempos sempre são uma incógnita.   

O processo de se tornar uma organização mais inclusiva e multicultural exige mais do que campanhas sazonais, é necessário ações efetivas dentro das empresas voltadas a conscientização de todos, desde o recrutamento ao tratamento desses grupos dentro de seu ambiente de trabalho.

É necessário trazer esses pontos para discussão e problematizar, sim, problematizar o porquê apenas temos estagiários negros ou LGBTQIA+, quais são as políticas de desenvolvimento profissional para esse jovem e por que não temos outras pessoas em posições estratégicas com as mesmas características do nosso estagiário. E lidar, até mesmo, com os vieses inconscientes de quem está contratando e, também, das equipes

Os fatos colocados a mesa para uma reflexão incomodam e pedem comprometimento de todos em especial cargos de decisão, para mais do que uma boa fama. Os líderes devem reconhecer seu papel social, privilégios, bem como, as desigualdades em sua companhia até o presente momento, para que assim medidas de inclusão sejam postas em prática.

Essa discussão ela deve ser levada a todos os funcionários, desde o presidente à equipe de limpeza, para que inclinações discriminatórias passem a ser percebidas nas interações diárias e ocorra uma mudança de comportamento dentro da organização. A diversidade começa quando o debate é acessível.

Diversificar uma empresa é mais do que apenas contratar profissionais “diferentes”

É fornecer a eles uma estrutura para seu crescimento e apoio em caso de denúncia a episódios discriminação, garantindo-o a devida punição ao seu agressor.

Diversificar é fazer com que o texto publicado nas páginas da empresa seja reflexo da cultura, porque no final do dia é sobre isso, diversificar é olhar para pessoas, apesar de sua cor, origem, gênero ou orientação sexual.

 

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